O Secretário Executivo da Comissão Nacional para os ODS reconhece o papel do terceiro setor na implementação da Agenda 2030 da ONU. Durante evento em São Paulo, Lavito Bacarissa, da Secretaria-Geral da Presidência da República, destacou o potencial de alcance comunitário das organizações da sociedade civil.
“O Estado, não necessariamente tem a capilaridade necessária. Ou seja, ele não está presente no território com estruturas que favoreçam o avanço da Agenda. É nesse momento que o terceiro setor passa a ser fundamental.”
Para fortalecer os ODS, Bacarissa salientou que a agenda do terceiro setor deve se tornar cada vez mais diversa, incorporando as demandas de diferentes grupos sociais vulnerabilizados no país, como os ribeirinhos, quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais.
A partir dessa pluralidade, ele acredita que a sociedade civil pode qualificar eventuais políticas públicas, pautadas na agenda de desenvolvimento sustentável, que contemplem as necessidades reais desses territórios e comunidades vulneráveis.
Ações e encaminhamentos para os ODS no Brasil
Lavito Bacarissa esteve na cidade de São Paulo na última semana, quando participou do encontro “Resoluções da Conferência Nacional dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”. O evento reuniu a Comissão Nacional dos ODS e as instituições parceiras no Estado de São Paulo.
Durante o encontro, Bacarissa apresentou um documento com as ações e encaminhamentos aprovados na 1ª Conferência Nacional dos ODS, compartilhando os resultados desse processo de participação e construção coletiva.
Realizada em Brasília (DF), entre 29 de junho e 2 de julho de 2026, a 1ª Conferência Nacional dos ODS discutiu questões como a criação do ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial) e buscou consolidar as diretrizes da Agenda 2030 no país, aprovando 75 propostas, sendo 15 delas prioritárias.
A definição das propostas se deu a partir de um trabalho nacional e multissetorial, o qual contou com mais de 31 mil participantes. Conforme Bacarissa, as perspectivas territoriais são cruciais para a consolidação dessa agenda, contemplando pautas sociais e ambientais complexas.
“A gente precisava fazer isso a partir das perspectivas locais, sobretudo num país que é tão diverso como o Brasil, com peculiaridades regionais, sociais e culturais. O que acontece no Sul, não necessariamente acontece no Norte”.
A chegada do Super El Niño
Em entrevista ao Observatório, Bacarissa também falou sobre as mudanças climáticas e o El Niño na perspectiva da Agenda dos ODS. Segundo cientistas, este ano pode receber o fenômeno nomeado como Super El Niño, com altas possibilidades de se tornar um evento de intensidade extrema no segundo semestre de 2026.
Ao ser questionado sobre a necessidade de priorizar os ODS focados nas mudanças climáticas neste momento de emergência, como o ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima), Bacarissa afirmou que, na verdade, essa pauta precisa ser combatida de modo transversal, contemplando também outros ODS.
Afinal, caso o Super El Niño ocorra, haverá um grande impacto no regime de chuvas, gerando uma atenção especial para a água (ODS 6) e vida terrestre (ODS 15). Além disso, se houverem grandes enchentes, questões como: o alimento (ODS 2), desigualdade (ODS 10) e cidades (ODS 11) também se tornarão pautas emergenciais.
“Ou seja, você não consegue analisar em termos executivos os ODS de forma isolada, eles precisam ser analisados de maneira transversal”, concluiu.




