Artigo ODS no DL. Sustentabilidade é sonhar e lutar por uma vida melhor

Por Andressa Santa Cruz
Embaixadora do Encontro das Cidades ODS, ativista e comunicadora popular de Cubatão, formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestra em Ecologia, Economia e Política pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e técnica em Meio Ambiente pela Etec Cubatão. Atualmente, trabalha no Greenpeace Brasil

Sabe aquela vida dos sonhos? Casa segura para sua família, geladeira cheia e até uma horta? Emprego com salário justo e tempo para visitar sua mãe, fazer academia e ir à feira agroecológica? Escola pública no bairro, posto de saúde sem fila e ruas preparadas para escoar chuvas? Esgoto tratado, água limpa para beber e se banhar, ônibus gratuito sem lotação?

Pode parecer sonho, mas são exemplos de como a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU se reflete na nossa vida, equilibrando os três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Para fortalecer as ações sustentáveis na realidade brasileira, centenas de discussões foram realizadas em várias cidades do país, reunindo milhares de participantes e resultando em mais de mil propostas debatidas na 1ª Conferência Nacional dos ODS, em Brasília, em julho de 2026.

Cubatão, minha cidade, foi uma das pioneiras, realizando etapas municipais e estimulando, principalmente, a juventude a participar. Agora, o desafio será acompanhar e cobrar a aplicação desses compromissos nas políticas públicas, conectando o local ao global. E nisso o povo cubatense tem muito a ensinar.

No passado, Cubatão ficou conhecida pela poluição, marcada por mortes, doenças e acidentes de trabalho relacionados ao Polo Industrial. Mas, com a mobilização da sociedade, políticas foram criadas, como a instalação de filtros nas fábricas para controlar emissões, o reflorestamento de áreas degradadas e a realocação de bairros vulnerabilizados. Por isso, nos anos 90, Cubatão virou símbolo de recuperação ecológica.

Hoje, Cubatão e a Baixada Santista vivem outro momento decisivo, com o boom imobiliário e a ampliação dos acessos ao Porto de Santos, seja por navio, trem ou caminhão. Lembro sempre do pedido da cubatense Naty Perifa, de 38 anos, mãe de três filhos e moradora da Vila dos Pescadores, comunidade cercada por obras para transportar mais cargas: de um lado, obras para a passagem de mais navios no Rio Casqueiro e, de outro, obras para expansão da ferrovia. “Que sejam feitas com o menor impacto possível.”

Para que o impacto seja o menor possível, os ODS são orientadores e fortes aliados na construção de infraestruturas cinzas e, principalmente, infraestruturas verdes e azuis, que cuidam do meio ambiente — como praias, rios e mangues — e da população. Se governos e empresas considerarem os objetivos sustentáveis, priorizando inclusão social e qualidade de vida a longo prazo, teremos cada vez mais pessoas realizando o sonho de viver bem.

Publicado no Diário do Litoral (25/08/2026)
https://flip.diariodolitoral.com.br/impresso/?data-publicacao=2026-08-25&veiculo=diario-do-litoral&ed_impressa_jn=1012