Novo Relatório da SDSN pede governança e implementação mais robustas para os ODS

Paris, 23 de junho – A Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (SDSN) divulgou a 11ª edição do Relatório de Desenvolvimento Sustentável (SDR), destacando que, com menos de quatro anos para o prazo final da Agenda 2030, apenas 16% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) devem ser alcançadas. A maioria dos Estados-Membros da ONU mantém seu compromisso com a estrutura, mas alguns países, como os Estados Unidos, passaram a se opor ativamente ao paradigma do desenvolvimento sustentável e às instituições multilaterais que o sustentam.

O relatório defende uma implementação mais robusta dos ODS e uma cooperação global renovada, preparando as bases para uma estrutura pós-2030. Entre os destaques estão o Índice e os Painéis dos ODS, que classificam todos os Estados-Membros em relação aos 17 objetivos, e o Índice de Apoio ao Multilateralismo Baseado na ONU (UN-Mi), que monitora o engajamento dos países com o sistema da ONU.

A edição de 2026 também apresenta duas novas pesquisas: a Pesquisa de Especialistas da SDSN sobre Esforços Governamentais para os ODS e uma pesquisa pública em larga escala, realizada em 127 países, sobre os desafios e meios de implementação. Os resultados revelam amplo apoio público à manutenção da estrutura dos ODS para além de 2030, mas também evidenciam disparidades regionais e nacionais em termos de governança e capacidade de implementação. Entre as prioridades apontadas estão mecanismos mais fortes de financiamento, governança e uso de ciência e dados para acelerar o progresso sustentável.

“O apoio ao desenvolvimento sustentável como paradigma global permanece forte em todo o mundo. Casos de sucesso notáveis surgiram no Leste e no Sul da Ásia, bem como em muitos outros países e regiões. O desenvolvimento sustentável não pode ser alcançado em meio a conflitos em curso, o que torna a paz a principal prioridade do nosso tempo”, afirmou o professor Jeffrey D. Sachs, presidente da SDSN e um dos autores principais do relatório.

Já o Dr. Guillaume Lafortune, vice-presidente da SDSN, reforçou: “A Agenda 2030 sempre foi um empreendimento ambicioso, e os atuais ventos contrários geopolíticos estão testando a resiliência do sistema multilateral. O momento exige que todos os países reafirmem os princípios da Carta da ONU e cooperem na construção de uma arquitetura de segurança global e regional crível. A próxima era do desenvolvimento sustentável deve priorizar a implementação por meio de uma Arquitetura Financeira Global reformada e de maior envolvimento das instituições regionais e locais, garantindo também o papel central da sociedade civil e das universidades.”

O SDR 2026 reafirma que o mundo precisa de governança eficaz, financiamento robusto e cooperação multissetorial para que a Agenda 2030 avance e se torne base para o futuro do desenvolvimento sustentável.