Artigo ODS no Jornal da Orla. Kannon e os ODS: A compaixão como pilar da Agenda 2030

Por Fábio Tatsubô
Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP

Tava num daqueles dias bad… oh saco…dias de um desgosto silencioso.
No meio do turbilhão de pensamentos, a pergunta surgia: pra quê?
Ruminando pensamentos, de certa forma, tudo significou abrir mão de algo precioso: o tempo, para mim e para os meus.

Em meio a esse turbilhão, uma pergunta despretensiosa surgiu no WhatsApp: “Estás em Salvador?”.
– Não, não, Fabi, posto sempre fotos antigas, nada em tempo real.

Amiga de longa data, da querida Facos da Euclides da Cunha, e outra pergunta… levou a outras mensagens… e aos meus lamentos, sem julgamento, me perguntou:
— Você conhece Kannon? Ou Kuan Yin?
— Você parece ser um dos filhos dela. Tente se conectar com ela nessa sua viagem que vai fazer. Aproveite esse tempo para se reconectar, antes de tudo, com você, com sua essência e com a divindade.

Ela foi explicando: Cristo, Buda, Krishna e tantos outros atingiram o Nirvana ou foram para o Éden. Menos Kannon. Ela parou nos portões do paraíso e desistiu. Desistiu de se libertar da roda de samsara e voltou à Terra, apenas para estar entre nós e nos guiar pelo caminho da compaixão. Ela escolhe seus seguidores, e na conversa, minha amiga, afirmava ter certeza de que eu havia sido escolhido.

— Pare de se culpar. Essa culpa persistente é como uma bola de ferro que poda suas asas. Você veio ao mundo para fazer o bem e voar alto. O ego deve ser combatido, mas não com culpa, e sim com compaixão. Começando com compaixão por você mesmo.

Depois dessa troca, fui pesquisar quem era Kannon.

Kannon: A Deusa da Compaixão

Kannon, a forma japonesa do bodhisattva Avalokiteśvara, é uma das figuras mais veneradas do budismo no Leste Asiático. Conhecida como “aquela que ouve os lamentos do mundo”, simboliza compaixão e misericórdia supremas, virtudes que transcendem fronteiras religiosas e culturais.

A Lenda dos Mil Braços

Segundo a tradição, Kannon fez o voto de libertar todos os seres sencientes do sofrimento. Ao perceber que seus esforços não eram suficientes diante da imensidão da dor humana, manifestou mil braços e múltiplos rostos para alcançar e ajudar simultaneamente um número infinito de pessoas. Essa iconografia traduz a ideia de que a compaixão precisa ser múltipla, abrangente e adaptável às necessidades de cada indivíduo.

E tudo começou a fazer sentido, minha caminhada se aproxima dessa essência. Nunca houve obrigação em ajudar ninguém. Não ganho dinheiro com isso, não busco visibilidade porque sou reservado e valorizo o anonimato. Não sou “instagramável”, influencer ou candidato a alguma coisa. Ainda assim, escolhi romper a zona de conforto, usar o que tenho de mais preciso— meu tempo e energia — e estender a mão a quem surgiu no caminho, sem que fosse necessário pedir.

Se dediquei 99,9% das minhas 24 horas trabalhando para os outros… qual é, afinal, o meu propósito? Kannon.

Confira:
https://jornaldaorla.com.br/noticias/jornal/10e11-janeiro-2026-n-3-267/


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