Artigo ODS no DL. Quando a ciência ganha vida: Protagonismo que transforma – Contribuições Práticas para o alcance dos ODS

Por Maria da Graça Brum Azambuja (Diretora escolar), Márcia Vital Bruno Herculano (Professora de Ciências – EFII- anos finais) e Wisllane Cristina (Professora de Biologia – Ensino Médio) do Colégio Ômega Santos

Existem experiências escolares que ultrapassam a simples apresentação de conteúdos e permanecem na memória, porque permitem ao estudante compreender, de maneira concreta, o significado daquilo que aprende. A Feira de Experimentos do Colégio Ômega, em Guarujá, realizada no dia 29 de agosto de 2026, representa uma dessas experiências: um momento em que a investigação científica, a criatividade e o protagonismo dos alunos deram novos sentidos aos espaços da escola.

Mais do que uma exposição de trabalhos, a Feira foi resultado de uma proposta pedagógica construída para aproximar a teoria da prática. Durante o desenvolvimento dos projetos, os estudantes foram instigados a pesquisar, levantar hipóteses, testar possibilidades, analisar resultados e compartilhar suas descobertas com a comunidade escolar. Dessa forma, a Ciência deixou de estar restrita aos livros, passando a ser vivenciada por meio de experimentos, maquetes, apresentações e momentos de interação entre os alunos.

A realização dessa Feira também carrega uma história construída ao longo dos anos. Sua trajetória foi fortalecida pelo envolvimento de professores que acreditaram no potencial dessa proposta como um instrumento de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes. Entre essas contribuições, destaca-se, com especial reconhecimento, a dedicação da Professora Solange Maria dos Santos Souza (in memoriam) que durante anos esteve à frente da organização do evento, incentivando a curiosidade científica e o envolvimento dos alunos. Seu trabalho deixou marcas importantes na identidade desse projeto e permanece presente na continuidade dessa iniciativa, que segue valorizando os mesmos princípios de investigação, protagonismo, cooperação e criatividade.

Nesta edição, os alunos do 9º ano A e B do Ensino Fundamental II, desenvolveram trabalhos relacionados principalmente a estes ODS: 3 – “Saúde e bem-estar “ e 6: “Água potável e saneamento”. Investigar a qualidade da água foi o eixo norteador de diferentes pesquisas, envolvendo testes de pH, análise de condutividade elétrica, processos de filtração, observações microscópicas, estudos sobre doenças relacionadas à água contaminada e propostas sustentáveis para o uso dos recursos hídricos.

Esses experimentos permitiram aos alunos perceber que a Ciência está diretamente relacionada às situações presentes no cotidiano. Ao investigar a água e seus diferentes aspectos, compreenderam como fatores ambientais podem interferir na saúde da população, na preservação dos recursos naturais e na qualidade de vida das comunidades do entorno escolar.

No Ensino Médio, as propostas foram desenvolvidas a partir do ODS 16 : “Paz, justiça e instituições eficazes” — ampliando as discussões para temas relacionados à cidadania, responsabilidade coletiva, participação social e convivência democrática. Os estudantes perceberam que a construção de uma sociedade mais justa não depende apenas de conhecimentos técnicos, mas também da capacidade de dialogar, participar e agir de forma crítica e consciente diante dos desafios coletivos.

A organização dos trabalhos proporcionou aos alunos experiências que vão além dos conteúdos curriculares. Cada grupo participou de pesquisas, elaboração dos materiais, construção dos experimentos, maquetes, organização dos espaços e da apresentação dos resultados. Esse processo favoreceu o desenvolvimento da autonomia, da comunicação, da cooperação e da capacidade de argumentação, essenciais para a formação de cidadãos críticos e atuantes.

Durante a realização da Feira, foi possível observar uma postura ativa dos alunos diante do conhecimento. Eles explicaram conceitos, responderam questionamentos, compartilharam descobertas e demonstraram segurança ao apresentar aquilo que haviam construído ao longo do projeto. Esse movimento revela uma aprendizagem que ultrapassa a memorização, pois envolve compreensão, reflexão e a capacidade de relacionar os conteúdos escolares com situações reais do cotidiano.

O evento também evidenciou a importância da integração entre diferentes áreas do conhecimento, envolvendo Ciências da Natureza, Física, Biologia, Educação Ambiental, Saúde Pública e formação cidadã. Os trabalhos apresentados mostraram que a Ciência não se limita à realização de experimentos, mas representa uma ferramenta para desenvolver o pensamento critico, cooperação, responsabilidade coletiva e participação na busca de solução dos problemas locais

Projetos como essa Feira de Experimentos reafirmam a escola como um espaço de investigação, diálogo e construção de conhecimento. O papel da educação não está apenas em oferecer respostas prontas, mas em criar oportunidades para que os estudantes desenvolvam seu protagonismo diante de todo processo de aprendizagem e reconheçam sua participação no mundo em que vivem.

Ao final da Feira, permaneceram os experimentos, as maquetes, os registros e as apresentações realizadas pelos alunos. Entretanto, o maior resultado foi perceber que o conhecimento, quando construído de forma significativa, transforma a maneira como os estudantes compreendem a realidade e reconhecem seu papel importante na sociedade.

Mais do que apresentar experimentos, nossos alunos abriram caminhos para o futuro. Ao invés de apenas explicar a Ciência, demonstraram que aprender também é uma forma de compreender e participar ativamente da construção de um mundo sustentável.

Publicado no Diário do Litoral (30/09/2026)
https://flip.diariodolitoral.com.br/impresso/?data-publicacao=2026-09-30&veiculo=diario-do-litoral&ed_impressa_jn=1092