Em uma tarde cheia de descobertas sobre a história de uma das praias de Santos, 18 alunos, de 7 e 8 anos, da UME Maria de Lourdes Borges Bernal (Castelo), participaram de uma atividade prática na praia do Boqueirão. O projeto “Ecossistema de Praias” faz parte da Semana do Meio Ambiente e uniu relatos locais, ciência e educação ambiental em cenário que, para muitas crianças, era completamente novo.
O roteiro começou com uma contação de história do livro Dudu Amigo do Mar, de Lúcia Pimentel Góes, focado na sensibilidade e na conexão com a natureza. A narrativa serviu para entender a relação das crianças com o oceano e resgatar as memórias afetivas de cada um.
Para muitas crianças, o contato com a praia trouxe lembranças especiais. “Eu gosto muito da praia porque dá para nadar e eu brinco bastante no mar”, contou Arthur Martins, de 8 anos, aluno do 2° ano.
PEQUENOS CIENTISTAS
Divididos em grupos, os estudantes se transformaram em pequenos cientistas na mesa de sedimentos, atividade coordenada pela professora de ciências e articuladora Ana Paula dos Santos. Utilizando potinhos com amostras de areias de diversas praias nacionais e internacionais, os alunos aprenderam a observar os tamanhos dos grãos, as cores e entender como a areia surge.
“Vou fazendo algumas interferências: se for praia dissipativa, a areia é fininha; se for praia de tombo, que é reflexiva, a areia é mais grossa. São pequenas coisas adaptadas para a idade deles”, explicou Ana Paula.
Enquanto um grupo desvendava o surgimento das areias, o outro mergulhava na história com a professora de história e articuladora Daniella Silva de Oliveira, que utilizou um mapa da cidade de Santos para contar como surgiu o bairro Boqueirão, qual foi o primeiro caminho aberto até a praia no passado e como se deu a transformação da paisagem e dos prédios ao redor.
COLETA DE MICROLIXO
A conscientização ecológica veio em uma dinâmica prática, os alunos receberam potinhos com a missão de recolher na areia da praia apenas o que não pertencia aquele ambiente, trazendo pedaços de plásticos e outros microlixos retirados da areia.
A coleta abriu espaço para perguntas fundamentais: Como esse lixo veio parar aqui? O que podemos fazer para evitar isso? Com base nas respostas dos próprios alunos, as professoras orientam sobre a importância da reciclagem e o impacto das nossas atitudes no meio ambiente.
Todo o projeto foi pensado para além do ensino tradicional, conectando aspectos sociais e culturais da cidade. A professora articuladora Tatiane Caetano reforçou que o efeito da ação vai muito além do aprendizado técnico.
“Quando a gente fala de cultura oceânica, estamos falando de diferentes dimensões. Tem a questão do comportamento das crianças, da atitude, do acesso e a questão emocional, porque é um dia diferente, que vai marcar a infância deles”, comentou Tatiane.
Em seguida, os alunos participaram de uma atividade de sensibilização sensorial. De olhos fechados foram incentivados a ouvir o barulho das ondas, do vento e dos pássaros.




