Por Fábio Tatsubô
Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP
Desde criança, meus pais, todos os dias antes de sair de casa, dizem ganbatte!
Eu sempre respondo ganbarimasu!
Quando criança, era para treinar e estudar. Fazer o meu melhor!
Na época, o significado para mim, era dar mais braçadas para ganhar medalhas, ler mais que os outros e tirar nota 10, trabalhar com dedicação e trazer resultados. Com o passar do tempo, o sentido do ganbatte foi se ampliando: o melhor para si, mas também para os outros. Toda dedicação não pode ser apenas para metas individual, precisa ser bom para todos.
O conceito japonês de ganbatte (頑張って), significa ‘faça o seu melhor’, é mais do que um simples incentivo. Ele representa uma filosofia de vida que valoriza disciplina, coragem e perseverança diante das adversidades. Historicamente, suas raízes remontam ao código dos samurais, que exaltava honra e lealdade, e ganhou força no século XX, quando o Japão precisou reconstruir a terra arrasada após a Segunda Guerra Mundial.
Essa filosofia tem diferentes nuances linguísticas. Em situações formais, pode-se acrescentar ‘kudasai’ ao final, tornando a expressão mais polida e adequada para interações respeitosas. Já ‘ganbare’ transmite o mesmo sentido, mas em tom imperativo, sendo menos formal e pouco apropriado para uso com pessoas mais velhas. Há ainda variações como ‘ganbarou’ ou ‘ganbarimasu’, que remetem à primeira pessoa, indicando ‘farei o meu melhor’ ou ‘faremos o nosso melhor’. Todas essas formas derivam do verbo ganbaru, que significa empenhar-se ao máximo, e refletem a determinação e a perseverança em não desistir.
Mais do que uma expressão cultural, o ganbatte é um modo de viver que fortalece vínculos comunitários e estimula a responsabilidade compartilhada. Ele demonstra que cada esforço individual tem valor, seja em pequenos gestos como reciclar, na reciprocidade com o próximo ou em práticas coletivas como o osouji — a limpeza de espaços públicos. É o compromisso de fazer o melhor não apenas para si, mas para nós, os nossos e os que virão, sempre com a consciência de que a dedicação deve alcançar toda a sociedade.
Mais do que uma expressão cultural, é um modo de viver que fortalece vínculos comunitários e estimula a responsabilidade compartilhada. Ele demonstra que cada esforço individual tem valor, seja em pequenos gestos como reciclar, na reciprocidade com o próximo ou em práticas coletivas como o osouji — a limpeza de espaços públicos. É o compromisso de fazer o melhor não apenas para si, mas para nós, os nossos e os que virão, sempre com a consciência de que a dedicação deve alcançar toda a sociedade.
A relação entre o ganbatte (faça o seu melhor) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) está no princípio de que a ação individual gera impacto local e, somada, contribui para metas globais. Essa filosofia conecta-se a diferentes dimensões dos ODS:
ODS 3 – Saúde e Bem-Estar: promove hábitos saudáveis e resiliência emocional; ODS 4 – Educação de Qualidade: incentiva a persistência nos estudos e o esforço contínuo ODS 5 – Igualdade de Gênero: reforça o respeito e a valorização de todos, sem distinções, estimulando equidade nas relações; ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico: fortalece dedicação, ética e excelência no ambiente profissional no lidar com as pessoas; ODS 10 – Redução das Desigualdades: contribui para práticas que ampliam oportunidades e combatem exclusões sociais; ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis: inspira escolhas conscientes e sustentáveis no cotidiano; ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação: promove solidariedade, cooperação comunitária e colaboração global.
Mais do que uma expressão cultural, é um modo de viver que fortalece vínculos comunitários e estimula a responsabilidade coletiva. Em tempos de urgência climática e desigualdades sociais, perseverar e ‘fazer o melhor’ torna-se uma ponte entre valores culturais e metas globais, capaz de transformar os ODS em realidade concreta.
Minna, ganbatte ne! 😉
Confira na edição do Jornal da Orla – 12/06/2026
https://jornaldaorla.com.br/noticias/jornal/12-junho-2026-n-3-395/




