Por Fábio Tatsubô
Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP
A partir de um convite do Paulo Queija para um workshop sobre a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) que entra em vigor final deste mês: Empresas adoecem quando pessoas trabalham sem reconhecimento, quando o medo fala mais alto que a motivação e quando ninguém se sente ouvido. Um mural dentro da organização não é apenas uma parede: é um reflexo da cultura, do que a empresa valoriza e do que permite crescer dentro das pessoas. Palavras certas levantam equipes, reconhecimento gera pertencimento e pertencimento gera resultados. Afinal, uma empresa forte não é feita apenas de metas, mas de pessoas emocionalmente fortalecidas. E se você lidera pessoas, nunca esqueça: o ambiente que você cria determina o desempenho que você recebe.
Essa reflexão ganha ainda mais relevância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que em 2026 passou a incluir explicitamente os riscos psicossociais como parte da saúde ocupacional no Brasil. A mudança reconhece que saúde mental também é saúde no trabalho e que fatores como sobrecarga, pressão abusiva por metas, assédio moral e sexual, falta de reconhecimento e ambientes tóxicos são riscos reais e precisam ser gerenciados. Os números oficiais mostram a gravidade da crise: os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais mais que dobraram em apenas três anos, passando de 201 mil em 2022 para mais de 472 mil em 2025. Os casos de burnout cresceram mais de 800% no período, e apenas os episódios depressivos somaram quase 183 mil afastamentos em um único ano. A maioria dos afastamentos por ansiedade e depressão ocorre entre mulheres, com idade média de 41 anos.
Nesse cenário, a liderança exerce papel decisivo. Pesquisas globais, como as da consultoria Gallup, indicam que o chefe direto responde por até 70% da variação no engajamento e no clima emocional de um time. Isso significa que líderes preparados e conscientes são fundamentais para prevenir o adoecimento e fortalecer equipes. A NR-1 exige que empresas incluam os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), avaliem continuamente o clima organizacional, capacitem líderes para lidar com saúde mental, criem canais seguros de escuta e denúncia e monitorem os impactos das condições de trabalho na saúde dos empregados. Além disso, conecta o mundo corporativo às metas globais da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à saúde, trabalho decente, redução das desigualdades e fortalecimento institucional. Considerando que as metas são globais, mas as ações são locais, o indivíduo é o início de tudo, seja na decisão da alta liderança, seja os da base da pirâmide.
Mais do que uma norma técnica, a NR-1 é um marco histórico. Ela reconhece que criar ambientes saudáveis e dar reconhecimento às pessoas deixou de ser apenas uma boa prática, tornou-se uma exigência legal e estratégica. Empresas fortes não se sustentam apenas em metas, mas em pessoas emocionalmente fortalecidas. E nesse cenário, líderes conscientes são a chave para um futuro mais humano e sustentável.
Uma boa liderança inspira confiança, gera engajamento e fortalece vínculos. Já a liderança tóxica ou ausente… piora tudo que muitas vezes o que já é desafiador, e desagrega tudo.
Assim, a NR-1 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reforçam que saúde mental é parte da saúde ocupacional e que empresas precisam investir em líderes preparados. Prosperidade não nasce apenas de metas, mas de pessoas emocionalmente fortalecidas, e é a qualidade da liderança que define se o futuro será de engajamento e crescimento ou de perdas e afastamentos.
Confira o artigo deste sábado no Diário do Litoral:
https://flip.diariodolitoral.com.br/impresso/?data-publicacao=2026-05-30&veiculo=diario-do-litoral&ed_impressa_jn=835




