Por Fábio Tatsubô
Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP
Na pequena vila costeira vivia Akio, um menino pescador que sonhava em construir uma grande rede capaz de alimentar não apenas sua família, mas toda a comunidade. Durante anos, recolheu fibras, aprendeu os nós com os mais velhos, caminhou quilômetros para coletar o material e, pacientemente, teceu cada fio. Cada nó era uma promessa de prosperidade, uniãoe esperança.
Quando a rede finalmente ficou pronta, brilhando ao sol como se fosse feita de ouro, toda a vila se reuniu para celebrar. Mas, no momento da entrega, surgiu Haru, um homem ambicioso que nunca havia ajudado. Com voz firme, declarou:
— Esta rede é minha. Eu a construí e agora vou mostrar ao mundo.
Os mais velhos reconheceram ali o yokodori suru — apropriar-se do esforço alheio. Uma atitude desleal, que mina a confiança e desvaloriza quem realmente trabalhou.
Akio, porém, não reagiu com raiva. Ele olhou para Haru e disse:
— Se deseja ser parte desta história, será sempre bem-vindo. Mas para isso precisa trazer também a sua própria rede, somando-a à minha, para que juntas possamos ajudarainda mais pessoas da comunidade. Assim, sua participação será verdadeira e trará benefícios reais para todos.
Haru, no entanto, recusou e impôs:
— Não! Fui eu o realizador!
Akio, porém, não se desesperou.
— Cada nó desta rede guarda uma história. Quem nunca tocou nela não conhece suas cicatrizes.
Então, chamou as crianças da vila e pediu que segurassem a rede. Uma a uma, elas lembraram dos dias em que ajudaram a buscar fibras, dos momentos em que aprenderam a dar nós, das histórias que Akio contava enquanto trabalhava. A rede não era apenas um objeto: era memória viva, carregada de marcas invisíveis que só quem participou poderia reconhecer.
A comunidade reconheceu Akio como o verdadeiro criador. A grande rede foi lançada ao mar e trouxe prosperidade e união para todos.
“Yokodori suru” (横取りする)
Significa se beneficiar de um esforço alheio sem ter contribuído. Na cultura japonesa, marcada por valores como honestidade (shōjiki), lealdade (chūgi) e retidão (gi), o yokodori suru é visto como uma atitude condenável, mina a confiança e desvaloriza o esforço coletivo
Relação com os ODS
O conto do menino Akio dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No ODS 8, representa o trabalho digno e o reconhecimento do mérito, contrapondo-se ao yokodori suru. No ODS 10, mostra que inclusão é possível quando há contrapartida justa em benefício da comunidade. No ODS 16, evidencia a importância da transparência e da ética. Por fim, no ODS 17, a proposta de Akio a Haru simboliza que parcerias só são sustentáveis quando há compromisso real.
Moral
Akio mostrou que até diante da injustiça é possível oferecer caminhos de participação, mas a imposição não constrói, destrói. Ao oferecer caminhos de participação justa e ter contrapartidas em benefício da coletividade é o que aproxima a narrativa dos ODS: trabalho decente, redução das desigualdades, justiça e parcerias sustentáveis.
Confira no Jornal da Orla:
https://jornaldaorla.com.br/noticias/jornal/25-fevereiro-2026-n-3-303/


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