Com a colaboração de alunos da rede municipal de Santos, mutirão recolhe 30kg de microlixo na praia

“As pessoas precisam parar de jogar lixo na praia, porque isso polui o ambiente e pode matar os animais.” O alerta é do estudante Pedro Henrique da Silva Dias, de 10 anos, do 5º ano da UME Professor João Papa Sobrinho (Gonzaga), durante o Mutirão Pré-Carnaval – O Mar Não Está Para Lixo,  nesta sexta-feira (13), na Praia do Gonzaga, em Santos. A ação, realizada pelo Instituto Supereco, por meio do projeto Tecendo as Águas, reuniu cerca de 100 pessoas, entre alunos da rede municipal, voluntários e educadores, com estimativa de 30 quilos de microlixo recolhido, com destaque para centenas de bitucas de cigarro.

Objetivo é promover a limpeza da orla e a conscientização ambiental em um período de aumento do fluxo de visitantes, às vésperas do Carnaval. A iniciativa contou ainda com o apoio do Instituto Nova Maré e parceria da Petrobras.

Divididos nos grupos amarelo, vermelho e roxo, alunos e voluntários percorreram trechos demarcados da praia para a coleta de resíduos sólidos. Após essa etapa, os materiais recolhidos foram levados para a atividade de gravimetria, considerada uma das fases centrais e mais educativas do mutirão.

A gravimetria consiste na separação, classificação e quantificação dos resíduos coletados, como plásticos, papéis, latinhas, lacres, tampinhas e microplásticos. A metodologia permite identificar os tipos de lixo mais frequentes e ajuda a compreender a origem desses materiais, se vieram do mar, de outras comunidades, de áreas próximas ou do descarte inadequado feito por banhistas. 

Durante a triagem, os participantes separaram os resíduos sobre lonas, destacando os itens mais encontrados. As bitucas de cigarro apareceram como o principal resíduo recolhido, seguidos por microplásticos, tampinhas, lacres de latinha, plástico duro, hastes de cotonete e de pirulito, além de pequenos fragmentos de vidro.

O inspetor de alunos da UME João Papa Sobrinho, Renato Rodrigues, ressaltou que a ação vai além da limpeza da areia. “Os alunos entram em contato com a ciência na prática, analisam os resíduos e refletem sobre como esse lixo chegou até a praia. Isso fortalece a cidadania e a consciência ambiental desde cedo”.

Renato é coordenador do projeto Embaixadores do Século XXI, realizado na unidade municipal com o intuito de despertar nos estudantes uma consciência voltada para as questões ambientais, por meio de diversas ações. 

No grupo amarelo, a aluna embaixadora Helena de Oliveira dos Santos, também do 5º ano, destacou o aprendizado da experiência. “Estou achando muito legal, porque a gente está ajudando o mundo e os animais marinhos”. Entre os itens encontrados por ela, bitucas de cigarro, uma peça metálica e parte de um brinquedo. 

A presidente do Instituto Supereco, Andree Ridder Vieira, destacou o caráter educativo da mobilização. “No pré-Carnaval, queremos sensibilizar moradores e turistas. As crianças participam da coleta, da análise dos resíduos e se tornam multiplicadoras dessa mensagem de cuidado com o oceano”

Representando a área de Responsabilidade Social da Petrobras, Carlos Alberto de Oliveira reforçou a importância da parceria. “Apoiamos iniciativas que promovem educação ambiental e envolvem a comunidade. A mudança começa quando as pessoas entendem que preservar é não sujar”.

Mesmo com a varrição regular da Prefeitura na orla, os organizadores alertam que o microlixo, por ser pequeno e menos visível, permanece na areia e representa riscos à vida marinha e à saúde humana. A expectativa é que ações como o mutirão fortaleçam a conscientização ambiental e contribuam para um Carnaval mais limpo e sustentável no litoral santista.


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