O veganismo, hoje reconhecido como um estilo de vida que busca excluir todas as formas de exploração animal, tem raízes muito mais antigas do que o termo moderno sugere. Embora a palavra “vegano” tenha sido criada em 1944, os princípios que a sustentam — como a compaixão, a não-violência e o respeito por todos os seres vivos — já estavam presentes em civilizações milenares.
Muito antes de Roma: raízes filosóficas no Orient
Enquanto a fundação mítica de Roma data de 753 a.C., a Civilização do Vale do Indo já florescia entre 3300 a.C. e 1300 a.C., com cidades planejadas e sistemas sociais avançados. Foi nesse contexto que surgiram as primeiras expressões filosóficas e espirituais de respeito à vida animal.
Na Índia Antiga, séculos antes de Roma existir, já se desenvolvia o conceito de Ahimsa — a não-violência contra todos os seres vivos —, que se tornaria a base espiritual do que hoje chamamos de veganismo. As escrituras védicas, como os Vedas, começaram a ser compostas por volta de 1500 a.C., muito antes de qualquer registro filosófico romano.
Enquanto a cultura romana se estruturava em torno da expansão militar e do direito civil, o pensamento indiano — por meio do Hinduísmo, Budismo e Jainismo — promovia a compaixão universal e a interconexão entre todas as formas de vida. Essa diferença de foco revela que, embora o termo “veganismo” seja uma criação ocidental moderna, a prática e o pensamento ético de não consumir animais nasceram e se consolidaram no Oriente milênios antes de Roma se tornar um império.
O nascimento do termo e do movimento moderno
O marco oficial do veganismo como movimento organizado ocorreu em novembro de 1944, na Inglaterra. Foi quando Donald Watson, ao lado de um pequeno grupo de dissidentes da Sociedade Vegetariana do Reino Unido, fundou a The Vegan Society. O grupo buscava se diferenciar dos vegetarianos que ainda consumiam laticínios e ovos, defendendo uma dieta e um estilo de vida totalmente livres de produtos de origem animal — por razões éticas.
Watson criou o termo “vegan” a partir das três primeiras e duas últimas letras da palavra vegetarian (VEGetariAN), simbolizando, segundo ele, “o começo e o fim do vegetarianismo”.
De dieta a filosofia de vida
Com o tempo, o veganismo evoluiu de uma simples “dieta vegetariana sem laticínios” para uma filosofia de vida abrangente, que busca eliminar, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais — seja na alimentação, no vestuário, nos cosméticos ou em qualquer outro aspecto do consumo.
Hoje, o veganismo é um movimento global em expansão, impulsionado por preocupações éticas, ambientais e de saúde, e alinhado aos princípios da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).



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