A celebração da entrada do Ano Novo é um momento de alegria, união e esperança, mas trouxe uma realidade preocupante: 900 toneladas de lixo foram recolhidas das praias da Baixada Santista logo após o Réveillon, segundo apuração do jornal A Tribuna.
Quatro cidades divulgaram seus números:
- Praia Grande: 638,20 toneladas retiradas em 22,5 km de orla, com 578 servidores mobilizados desde as 2h da manhã.
- Santos: 50 toneladas recolhidas entre a divisa com São Vicente e a Ponta da Praia.
- Mongaguá: cerca de 100 toneladas, principalmente nas regiões de Agenor de Campos e Centro.
- Guarujá: mais de 90 toneladas coletadas durante a madrugada.
- Itanhaém: mobilizou 160 trabalhadores e 20 máquinas, mas não divulgou o volume total.
O que ficou para trás
Garrafas de vidro, copos, embalagens plásticas e restos de alimentos foram os principais resíduos deixados. Além de comprometerem a beleza das praias, representam riscos sérios:
- Poluição marinha, já que parte do lixo é levado pelo mar.
- Ameaça à fauna costeira, que pode ingerir ou se enroscar em plásticos e vidros.
- Sobrecarga nos serviços públicos, que precisam mobilizar centenas de trabalhadores em operações emergenciais.
O valor que se perde no lixo
Aqui está um ponto que muitas vezes passa despercebido: 900 toneladas de resíduos não são apenas lixo, são também riqueza desperdiçada.
Se esse volume fosse corretamente separado e destinado às cooperativas de reciclagem, poderia gerar entre R$ 900 mil e R$ 1,8 milhão. Esse dinheiro não é abstrato: ele poderia significar renda para famílias, fortalecimento de cooperativas e novos empregos.
Preços médios dos recicláveis (2025):
- Plástico PET → R$ 2,00 a R$ 2,50/kg
- Papelão → R$ 0,50 a R$ 0,80/kg
- Vidro → R$ 0,20 a R$ 0,30/kg
- Alumínio (latas) → R$ 5,00 a R$ 6,00/kg
Imagine: só o alumínio, se fosse separado, poderia valer milhões. O que hoje é visto como problema poderia ser transformado em oportunidade econômica e social.
Evitar que toneladas de resíduos sejam destinadas aos aterros não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica e social. Cada quilo de material reaproveitado representa menos pressão sobre o planeta e mais oportunidades para as pessoas.
Impactos ambientais positivos
- Redução de emissões: resíduos orgânicos em aterros liberam metano, um dos gases que mais agravam o aquecimento global.
- Menos chorume: o líquido tóxico da decomposição, capaz de contaminar solo e água, é reduzido.
- Aterros mais duradouros: menos resíduos prolongam a vida útil dessas estruturas e evitam a necessidade de novas áreas de disposição.
- Proteção da biodiversidade: menor risco de destinação inadequada e de impactos à saúde pública.
Ganhos econômicos e sociais - Economia logística: menos caminhões circulando, menos combustível gasto e menor custo operacional.
- Gestão pública mais eficiente: recursos que seriam usados em descarte podem ser direcionados para educação ambiental e coleta seletiva.
- Valor recuperado: materiais recicláveis transformam-se em renda, fortalecem cooperativas e promovem inclusão produtiva.
Em outras palavras, cada tonelada que deixa de ir para o aterro significa menos impacto ambiental e mais valor social. O lixo que hoje é visto como problema pode se tornar matéria-prima para uma economia mais justa e sustentável.
Reflexão e cidadania
O episódio mostra que precisamos repensar como celebramos. O Réveillon é coletivo, mas seus impactos recaem sobre o meio ambiente e sobre trabalhadores que passam a madrugada recolhendo toneladas de lixo.
Práticas simples podem mudar esse cenário:
- Usar recipientes reutilizáveis e evitar plásticos descartáveis.
- Participar de campanhas e mutirões de limpeza.
- Adotar uma postura de responsabilidade individual e coletiva.
O Réveillon é uma festa e esperança, mas também um alerta: nossa forma de celebrar não pode comprometer o futuro do planeta.
A retirada de 900 toneladas de lixo das praias da Baixada Santista é mais do que um dado ambiental — é um chamado à ação. Cada garrafa, cada lata, cada embalagem poderia ter sido transformada em valor econômico e social. Sustentabilidade não é apenas preservar a natureza, é também gerar cidadania, renda e dignidade.
Por Fábio Tatsubô
Coordenador Regional BS do Movimento Nacional ODS SP



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