Estudo científico confirma eficiência de piso drenante produzido pela Ecofábrica e confirma Santos como referência nacional

Um conjunto de estudos realizados por grupos de pesquisa da Universidade São Judas Tadeu (USJT/Unimonte) comprovou a eficiência técnica e ambiental do piso drenante, produzido pela Ecofábrica Zona Noroeste, unidade da Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref). As análises destacam o desempenho do material em resistência, capacidade de drenagem e contribuição para a economia circular. As pesquisas também destacam o papel da Ecofábrica como ‘polo de inovação, economia circular e inclusão social’, consolidando Santos como referência nacional em práticas sustentáveis aplicadas a obras públicas.

Segundo o estudo Concreto Sustentável – Projeto Ecofábrica, o piso desenvolvido a partir de resíduos da construção civil e plástico triturado apresentou alta capacidade de infiltração da água. Nos testes laboratoriais, a água escoou rapidamente pelos poros do material, uma característica essencial para reduzir alagamentos e favorecer a drenagem urbana. O relatório também aponta que o concreto drenante da Ecofábrica reduz impactos ambientais, diminui a extração de recursos naturais e integra ações sociais por meio de cursos e capacitações gratuitas.

Outra pesquisa, intitulada Concreto Permeável com Resíduos – Soluções para Drenagem Urbana na Zona Noroeste de Santos, comparou duas misturas diferentes de concreto: uma feita apenas com pedra e cimento, e outra que substituiu metade das pedras por plástico PET triturado. O resultado chamou a atenção dos pesquisadores: a mistura com PET apresentou três vezes mais resistência do que a mistura tradicional.

Nos ensaios de compressão, a peça com PET suportou 2.610 kgf, enquanto a peça convencional resistiu a 860 kgf. O estudo também avaliou um bloco de piso drenante no formato quadrado, produzido com a mesma mistura ecológica. Esse bloco suportou nove toneladas de peso, um indicador que o torna seguro para uso imediato em calçadas, praças, ciclovias e áreas de circulação de pedestres e veículos leves.

Segundo os pesquisadores, o desempenho elevado está associado ao melhor encaixe das partículas de PET dentro da mistura e à maior resistência ao impacto antes da ruptura. No aspecto da drenagem, os testes confirmaram que o concreto com PET continua altamente permeável, permitindo que a água penetrasse os seus poros de maneira contínua e eficiente.

Os relatórios reforçam que essa solução ajuda a reduzir a sobrecarga nas galerias pluviais e atua como ferramenta direta no combate a alagamentos em áreas vulneráveis. Os estudos concluem que a tecnologia desenvolvida na Ecofábrica representa um avanço importante para a infraestrutura urbana de Santos, ao transformar resíduos em solução para drenagem, pavimentação e redução de impactos ambientais.

“A pesquisa com pisos drenantes foi fundamental para comprovar, de forma científica, sua contribuição na redução de enchentes e no manejo adequado das águas pluviais. Esses estudos permitiram avaliar a eficiência dos materiais, comparar tecnologias e orientar escolhas mais seguras em projetos urbanos”, disse Camila Garcia Aguilera, coordenadora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Design, Engenharias e Tecnologia.

Os insumos chegam à Ecofábrica por meio do serviço de Cata-Treco e de doações. Depois, passam por duas máquinas trituradoras que processam o material, transformando-o em insumo para a fabricação das peças. Atualmente, a unidade produz 100 peças por semana, o que representa cerca de 400 pisos mensais e um total de 5 mil unidades ao final de um ano.

Cada peça mede 40×40×6 cm e equivale a 64 garrafas plásticas de 500 ml retiradas do meio ambiente. Em um ano de produção, o impacto pode chegar a mais de 330 mil garrafas desviadas de rios, ruas e aterros, reinseridas de forma inteligente na cadeia produtiva.

Os pisos drenantes já começaram a mudar a paisagem urbana da Cidade. Entre os locais que contam com a nova tecnologia estão o Caminho da Ilha Diana, na Área Continental, e o Parque Caneleira, situado na Rua Gilberto Franco Silva com o Caminho São Jorge. Além disso, a Praça Verde, na Rua Pedro Paulo Di Giovanni, no Santa Maria, também foi contemplada, reforçando o caráter comunitário e de lazer do projeto.

“Já instalamos o piso drenante em algumas praças e agora, com os testes, vamos ampliar a presença do piso na Cidade, além de desenvolver outras misturas que sejam eficientes para o ambiente urbano e tenham características sustentáveis”, concluiu o secretário das Prefeituras Regionais, Rivaldo Santos.


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